Por
Sérgio Giannetto ,
presidente do Sindicato dos Portuários do Rio de Janeiro
Neste ano de 2010 comemora-se 100 anos das obras de construção e melhoramentos do Porto do Rio, obra que inseriu e dinamizou este porto na rota dos principais destinos do país no comércio internacional. Há entre o porto e a cidade do Rio de Janeiro uma ligação histórica indissolúvel, já que foram as facilidades proporcionadas pela natureza, como um lugar de águas mansas e tranqüilas, com pouco assoreamento e uma entrada de barra ideal para a defesa militar, determinantes para a instalação de um porto e do primitivo núcleo populacional de fundação desta cidade.
Após passar por experiências de exploração privada, o Porto do Rio, coerente com o modelo de centralização estatal adotado na década de 30, determinado pela visão dos portos como fator fundamental ao desenvolvimento nacional, constituiu-se numa autarquia federal até a década de 70, quando tornou-se uma sociedade anônima, a Companhia Docas da Guanabara, mantendo, porém, o governo federal quase a totalidade do controle acionário. Com a fusão dos dois estados, em 1975, mudou sua denominação para a atual Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ).
Embora sempre dinâmico e importante, o Porto do Rio teve seu apogeu durante a década de 50 e o início dos anos 60, quando alcançou o primeiro lugar na movimentação de importação em todo o país. Durante toda a sua história, o Porto do Rio de Janeiro contou sempre com o esforço e o zelo profissional de seus trabalhadores e trabalhadoras para o êxito de suas responsabilidades. Esses trabalhadores(as) portuários(as), entretanto, nunca descuidaram de seus deveres enquanto categoria organizada, tendo passado por diversas configurações de organizações sindicais, mas mantendo sempre o seu compromisso de classe.
A história de luta dos portuários e portuárias insere-se, de forma inquestionável, na história da luta operária no Brasil, podendo-se mencionar, em passado mais recente, o papel de destaque da União dos Portuários do Brasil (UPB) na construção do Pacto de Unidade e Ação, em conjunto com marítimos, estivadores e ferroviários, e que foi um dos grandes sustentáculos da criação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Logo após o golpe a sede da UPB foi invadida, seu acervo documental e patrimonial confiscado e seus dirigentes presos, torturados e banidos.
Em 1981, como sucedâneo da UPB, foi fundado o Sindicato dos Portuários do Rio de Janeiro, incorporando também a representação dos portuários e portuárias de todos os portos do estado, e que participou ativamente da reconstrução do movimento sindical no porto e fora dele, atuando destacadamente em todos os movimentos e greves nacionais levadas a efeito pelo sindicalismo. O Sindicato dos Portuários do Rio de Janeiro foi o primeiro sindicato da orla portuária, em todo o Brasil, a filiar-se à Central Única dos Trabalhadores – CUT.