Ajudou a eleger, vai ajudar a governar

Tudo combinado: Primeiro ministro que "não estava em campanha" é do homem que prendeu o adversário

Escrito por: CUT Rio • Publicado em: 01/11/2018 - 14:35 Escrito por: CUT Rio Publicado em: 01/11/2018 - 14:35

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No mesmo dia que o "primeiro filho" Eduardo Bolsonaro afirma ao O Globo que "fizeram um pacto de que não serão presos pela Lava-Jato", o juiz-dono da operação e garoto propaganda da perseguição política travestida de combate fajuto à corrupção - Sergio Moro - é anunciado ministro. Ou "Superministro" como a imprensa tem chamado.

Ainda há o indicativo de que esta seja a morada temporária do juiz que segue a tradição tucana de não terminar o que começa. Moro aguarda a vaga de Ministro do STF que irá ficar vacante durante o mandato de Jair Bolsonaro. 

O líder-em-chefe da operação que quebrou polos de desenvolvimento como o COMPERJ e deixou dezenas de milhares de desempregados, assim como destruiu a economia local de diversas cidades, descumpre uma promessa feita em novembro de 2016 na capa de O Globo - A de que nunca entraria para a política.

Na primeira oportunidade, já tira sua toga de molho e poe-se a voar. Para uma conversa tão rápida, em um dia tão típico e uma declaração já pronta liberada para a imprensa, é impossível acreditar que Moro já não estivesse inteirado da campanha, inclusive agindo politicamente onde lhe cabia para eleger seu novo chefe. 

O desespero de se sobrepor as normas e ritos e manter Lula preso, a própria prisão e o andamento recorde do processo contra Lula são a prova de que Moro tem um projeto de poder para si mesmo. Um proto-político que sequestrou para si a justiça e subverteu a legalidade em beneficio próprio colhe agora para si a construção de uma mentira que leva o Brasil ao abismo.

Moro assina a carta aceitando o cargo antes mesmo de deixar Curitiba para receber o "convite" no Rio de Janeiro.

Leia a íntegra da nota:

Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Publica na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura.

No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão.

Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes.

Curitiba, 01 de novembro de 2018.

Sergio Fernando Moro

Título: Ajudou a eleger, vai ajudar a governar, Conteúdo: No mesmo dia que o primeiro filho Eduardo Bolsonaro afirma ao O Globo que fizeram um pacto de que não serão presos pela Lava-Jato, o juiz-dono da operação e garoto propaganda da perseguição política travestida de combate fajuto à corrupção - Sergio Moro - é anunciado ministro. Ou Superministro como a imprensa tem chamado. Ainda há o indicativo de que esta seja a morada temporária do juiz que segue a tradição tucana de não terminar o que começa. Moro aguarda a vaga de Ministro do STF que irá ficar vacante durante o mandato de Jair Bolsonaro.  O líder-em-chefe da operação que quebrou polos de desenvolvimento como o COMPERJ e deixou dezenas de milhares de desempregados, assim como destruiu a economia local de diversas cidades, descumpre uma promessa feita em novembro de 2016 na capa de O Globo - A de que nunca entraria para a política. Na primeira oportunidade, já tira sua toga de molho e poe-se a voar. Para uma conversa tão rápida, em um dia tão típico e uma declaração já pronta liberada para a imprensa, é impossível acreditar que Moro já não estivesse inteirado da campanha, inclusive agindo politicamente onde lhe cabia para eleger seu novo chefe.  O desespero de se sobrepor as normas e ritos e manter Lula preso, a própria prisão e o andamento recorde do processo contra Lula são a prova de que Moro tem um projeto de poder para si mesmo. Um proto-político que sequestrou para si a justiça e subverteu a legalidade em beneficio próprio colhe agora para si a construção de uma mentira que leva o Brasil ao abismo. Moro assina a carta aceitando o cargo antes mesmo de deixar Curitiba para receber o convite no Rio de Janeiro. Leia a íntegra da nota: Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Publica na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite. Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito a Constituição, a lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior. A Operação Lava Jato seguira em Curitiba com os valorosos juízes locais. De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes. Curitiba, 01 de novembro de 2018. Sergio Fernando Moro



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